A Vida Não Está Pesada: Ela Está Sem Eixo

Muitas pessoas descrevem a rotina como sufocante. Dizem que a vida está pesada, que tudo exige esforço demais e que o cansaço não passa. No entanto, quando olhamos com mais profundidade, percebemos que esse peso raramente vem apenas do excesso de tarefas. Ele nasce, quase sempre, de uma desorganização interna silenciosa.

Sob o olhar da Ontoanálise, o peso da vida não está ligado apenas ao que se faz, mas à forma como o ser sustenta o que faz. Quando existe eixo, mesmo dias cheios não esmagam. Ainda que haja pressões externas, problemas ou decisões difíceis, o corpo e a mente conseguem sustentar o movimento.

Por outro lado, quando o eixo se perde, até pequenas demandas parecem excessivas. É assim que a vida pesada se instala: não pela quantidade de coisas, mas pela ausência de centro.

Sintomas de perda de centro

A perda de eixo não acontece de um dia para o outro. Ela se constrói aos poucos e se manifesta por sinais claros, ainda que frequentemente normalizados.

Um dos primeiros sintomas é a sensação constante de urgência. Mesmo quando nada grave acontece, a mente não desacelera. Tudo parece atrasado, tudo exige resposta imediata. Esse estado permanente de alerta é um dos motores da vida pesada.

Outro sinal comum é a dificuldade de priorizar. Tudo parece igualmente importante, o que gera confusão, procrastinação ou decisões impulsivas. Ao mesmo tempo, cresce a sensação de estar sempre ocupada, mas pouco produtiva.

Além disso, surge o cansaço mental persistente. Não importa quanto se durma ou quantas pausas se faça: a recuperação não acontece por completo. O corpo descansa, mas a mente permanece carregada.

Por fim, aparece uma sensação difusa de perda de sentido. Não necessariamente uma crise profunda, mas a percepção constante de que algo está fora do lugar. Esse é um dos sinais mais claros de que o eixo interno foi comprometido.

Eixo = critério + presença

Na Ontoanálise, eixo não é sinônimo de rigidez, força excessiva ou controle absoluto. Eixo é a combinação de critério e presença.

Critério é a capacidade de decidir a partir de um centro interno, e não apenas reagir às demandas externas. Quando não há critério, tudo entra. Quando ele existe, o excesso perde espaço. Sem critério, a vida pesada se forma rapidamente.

Presença, por sua vez, é a capacidade de estar inteiro no que se faz. Não significa atenção perfeita, mas envolvimento real. Quando há presença, o corpo acompanha a mente. Mas quando ela se perde, surge fragmentação, dispersão e desgaste.

Quando critério e presença deixam de caminhar juntos, o eixo se rompe. A vida segue, as tarefas continuam, mas o centro já não sustenta o movimento. O peso aumenta, mesmo que nada novo tenha sido acrescentado.

Como reerguer o centro no cotidiano

Reerguer o eixo não exige mudanças radicais na vida externa. Na maioria das vezes, começa com ajustes internos simples, porém consistentes.

O primeiro passo é reduzir a multiplicidade de decisões desnecessárias. Quanto mais escolhas irrelevantes uma pessoa faz ao longo do dia, mais rápido perde o centro. Simplificar rotinas devolve espaço interno e diminui a sensação de vida pesada.

Em seguida, é essencial revisar compromissos assumidos sem critério. Muitos pesos atuais vêm de acordos antigos que já não fazem sentido, mas continuam sendo sustentados por hábito ou culpa.

Outro ponto importante é introduzir pausas conscientes. Não como fuga, mas como recalibração. Pausar não é parar tudo, mas interromper o automático. Mesmo alguns minutos de presença real ajudam a reorganizar o eixo.

Além disso, nomear o que está desalinhado é fundamental. O que não é reconhecido se acumula. Dar nome ao incômodo devolve direção e reduz o peso interno.

Por fim, reerguer o centro exige constância, não intensidade. Pequenos ajustes diários sustentam o eixo com mais eficácia do que grandes rupturas ocasionais.

Conclusão

A vida pesada não é resultado de fraqueza, incapacidade ou falta de esforço. Ela surge quando o eixo interno se perde e o critério deixa de orientar as escolhas.

Quando o centro se reorganiza, o peso diminui, não porque os problemas desaparecem, mas porque passam a ser sustentáveis. A Ontoanálise não promete leveza artificial, mas alinhamento estrutural.

Reerguer o eixo é voltar a habitar o próprio centro. E, a partir dele, a vida volta a ter direção, mesmo quando continua exigente.

Dr. Caldas – Fundador da Ontoanálise

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