Quando o cenário econômico aperta, não é só o caixa da empresa que sofre — o corpo e a mente também sentem o impacto. Portanto, encontrar equilíbrio emocional em tempos de incerteza é essencial para atravessar o caos com consciência e serenidade
No entanto, o que poucos percebem é que, por trás das turbulências externas, existe uma guerra interna entre duas forças: a do medo e a da confiança. Em outras palavras, é o equilíbrio entre elas que define se atravessamos a crise com sabedoria ou com desgaste.
A Ontoanálise chama essa dinâmica de tensão entre as pulsões da vida e da destruição — ou, em termos simples, entre o impulso de se preservar e o impulso de se sabotar. Assim, compreender esse movimento interno é o primeiro passo para restaurar a clareza.
Quando o medo assume o comando
Toda crise ativa em nós o instinto de defesa. Cortamos custos, adiamos decisões, fechamos portas.
Até certo ponto, isso é necessário — contudo o perigo começa quando o medo assume o lugar da lucidez. O medo excessivo paralisa. Ele nos faz agir com desconfiança, enxergar risco em tudo e esquecer que a prosperidade precisa de espaço pra circular. Consequentemente, a mente se fecha em “modo sobrevivência”, o corpo entra em alerta constante, e a criatividade — nossa força vital de solução — se retrai. É como se o ser ficasse encurralado por dentro, tentando respirar em meio a números, boletos e planilhas.
Ainda assim, há um outro caminho: transformar o medo em atenção. Em vez de se esconder dele, olhe o medo como um sinal — um pedido do seu ser pra retomar o centro e agir com consciência, não com pânico.
O equilíbrio das forças: confiança e prudência caminhando juntas
Nenhuma decisão madura nasce do extremo. A confiança sem prudência é impulsividade; a prudência sem confiança é paralisia. O segredo está no equilíbrio dinâmico — onde o medo é ouvido, mas não dirige.
A Ontoanálise ensina que o ser humano carrega, dentro de si, forças opostas que precisam ser reconciliadas. É como se, em momentos de crise, a vida nos convidasse a fazer uma faxina interior: o que é essencial permanece; o supérfluo cai. Esse processo é desconfortável, mas libertador. Porque, quando o externo se contrai, o ser se expande — se você permitir. A cada decisão difícil, pergunte-se:
“Essa escolha nasce do medo de perder ou da confiança em continuar?”
A resposta muda tudo.
A calma como capital invisível
Pessoas fortes não são as que têm mais recursos, e sim aquelas que mantém suas emoções reguladas.
De fato, a serenidade em tempos caóticos é um ativo silencioso, mas poderoso. A mente calma percebe nuances. Enquanto o medo enxerga perigo, a calma enxerga oportunidade. Dessa forma, ela abre espaço para soluções criativas, negociações humanas e parcerias improváveis.
Não é uma calma ingênua — é estratégica. Ela vem de quem aprendeu a confiar no processo e a entender que o controle absoluto é uma ilusão. Logo, quem domina a si mesmo, mesmo sem dominar o cenário, já está em vantagem.
Práticas de reconexão em tempos de incerteza
- Respire antes de decidir.
Uma respiração consciente muda o estado interno e evita decisões reativas. - Traga o foco para o agora.
A ansiedade é filha do futuro. Por isso, quanto mais você se ancora no presente, mais clara fica a escolha. - Separe o que é fato do que é projeção.
Pergunte-se: “O que realmente aconteceu?” e “O que é só medo me contando uma história?”. - Converse com quem expande sua visão.
Isolamento é terreno fértil para o pânico. Além disso, um olhar externo lúcido ajuda a reorganizar percepções. - Lembre-se: tudo é ciclo.
Nenhuma maré fica alta ou baixa pra sempre. Desse modo, que hoje aperta, amanhã ensina.
Esses movimentos simples mantêm o ser à frente da mente — e é isso que sustenta o equilíbrio.
Conclusão
As crises financeiras são como ondas: não dá pra impedi-las, mas é possível aprender a surfar. O surfista mais experiente não é o que nada mais rápido, mas o que sente o movimento da água.
O segredo para atravessar tempos difíceis e encontrar equilíbrio emocional em tempos de incerteza não está em eliminar o medo, mas em dialogar com ele. Deixar que a prudência oriente e que a confiança ilumine.
Em última análise, quando o ser volta a ocupar o comando, até as incertezas se tornam mestres — e o que antes era pressão, vira força.
Dr. Caldas – Fundador da Ontoanálise
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