Vivemos cercados de estímulos, mas carentes de presença. Temos informação em excesso e atenção em falta. E, ainda assim, acreditamos que estamos “conscientes” — quando, na verdade, apenas reagimos.
Na Ontoanálise, chamamos de estado de consciência o grau de lucidez com que o ser participa da própria experiência. Não é algo fixo, é um campo vivo — que se expande ou se contrai conforme a forma como você se relaciona com a vida.
Estar consciente não é apenas pensar: é perceber-se pensando, sentir-se sentindo, agir sabendo por que age. É quando o “eu” deixa de ser refém da mente e o ser assume o comando.
O que é, afinal, um estado de consciência?
Para a Ontoanálise, consciência não é uma função mental — é uma dimensão do ser. A mente observa fatos, compara e analisa; a consciência compreende significados, acolhe e percebe os fatos.
Um estado de consciência elevado é aquele em que o ser está desperto, lúcido, conectado ao presente e capaz de observar os próprios movimentos internos sem se confundir com eles. Já um estado de consciência reduzido é o oposto: a pessoa vive em automático, identificada com pensamentos, emoções e papéis — agindo sem perceber o porquê.
Não é à toa que o mundo moderno chama o automático de “vida corrida”. Mas, na verdade, é apenas vida inconsciente — feita de reações, e não de escolhas.
“A consciência é o espelho onde o ser se reconhece.” — Dr. Caldas
O ser desperto e a mente adormecida
A mente teme o silêncio porque, nele, ela perde o controle. Mas o ser só pode se manifestar quando o barulho cessa. É por isso que, em Ontoanálise, dizemos que o silêncio é a linguagem do ser.
Ele não precisa provar nada; ele apenas é.
O problema é que vivemos mergulhados em ruídos — internos e externos. Ruídos de notificações, de comparações, de pensamentos repetitivos. E, quanto mais ruído, menos percepção. A maioria das pessoas não está cansada de trabalhar, e sim de pensar sem parar. O verdadeiro esgotamento é o da consciência — quando o ser não consegue mais emergir por entre as camadas de estímulos.
Mas a boa notícia é que o estado de consciência pode ser reeducado. Assim como um músculo que se fortalece com o uso, a lucidez cresce com a prática da presença.
O estado de consciência e o tempo do ser
O tempo e a consciência estão profundamente ligados. A mente vive no passado e no futuro: revive culpas, antecipa medos. Já o ser habita o agora — o único instante real. Quando você está consciente, o tempo se alarga. Você sente o sabor do café, ouve o tom da voz do outro, percebe o ritmo da respiração. A vida deixa de ser uma sequência de tarefas e volta a ser experiência.
É nesse estado que o propósito aparece naturalmente — não como uma meta externa, mas como clareza interior. Por isso, não há como falar de propósito sem falar de consciência. O propósito é o eco do ser em estado de lucidez.
“A pressa cega a consciência; a presença a desperta.” — Dr. Caldas
Como expandir o seu estado de consciência
Expandir a consciência não é uma técnica — é uma disposição. Mas há práticas simples que ajudam a cultivar esse estado desperto no cotidiano:
- Observe o que sente, sem julgar: Todo sentimento tem algo a revelar. Acolher é mais eficaz do que controlar.
- Respire com intenção: A respiração consciente é o fio que reconecta o corpo à alma. Um minuto por dia já faz diferença.
- Transforme tarefas em rituais: Ao escovar os dentes, dirigir ou cozinhar, esteja presente. O ordinário é o campo do extraordinário.
- Perceba o silêncio entre os sons: A mente escuta o barulho, mas a consciência percebe o intervalo — e é ali que mora o ser.
- Pergunte-se com sinceridade: “Quem está no comando agora — o medo, o costume ou o ser?” Essa pergunta simples devolve o eixo e desperta clareza.
Essas pequenas práticas cotidianas não servem apenas para relaxar — elas reorganizam o centro de comando da vida. A mente serve, o ser governa.
Os três níveis de consciência
De forma simbólica, podemos perceber três níveis de consciência humana:
- Consciência adormecida — regida pelo medo, pelo instinto e pela repetição.
A pessoa vive como “massa”, reagindo a tudo e criando pouco. - Consciência desperta — onde o indivíduo percebe que é autor de suas escolhas.
Aqui começa o desenvolvimento pessoal verdadeiro. - Consciência expandida — o nível onde o ser age em coerência com sua essência.
A mente e o coração trabalham juntos. Há serenidade, sabedoria e direção.
Quando dizemos que “a mente e o coração trabalham juntos”, não falamos do coração emocional, que reage por impulso, mas do coração consciente — o centro da percepção interior.
O papel da Ontoanálise é conduzir a pessoa do primeiro nível — o automático — até o terceiro nível (consciência expandida), onde o ser se emancipa da mente e vive em harmonia com o fluxo da existência.
Para se aprofundar mais sobre os 3 níveis de consciência, leia o artigo: “Os Três Níveis de Consciência: O caminho para o despertar”
Conclusão: o ser consciente é o novo humano
A consciência não é um luxo espiritual — é uma necessidade humana. Sem ela, toda inteligência se torna mecânica; com ela, até o simples se torna sagrado. O estado de consciência é o alicerce de toda transformação real. É ele que define como você ama, trabalha, lidera, cria e vive.
Por fim, quando o ser desperta, o tempo desacelera, o medo se dissolve e o propósito floresce. O mundo pode continuar acelerado, mas quem vive consciente já não corre — caminha com o tempo, no ritmo da própria alma.
Dr. Caldas — Fundador da Ontoanálise
Leia também:
Ontoanálise: O encontro entre o Ser e a Mente Moderna
Os Três Níveis de Consciência: O caminho para o despertar
O Caminho da Consciência: passos para o despertar interior
O Poder da Presença: Como Transformar o Ambiente Onde Está?
Processos que Travam: Como o Fluxo do Ser Libera Agilidade e Energia Criativa?
Leitura externa:
Ontoanálise: Quando o Ser Desperta e a Vida Começa a Fazer Sentido
