O Excesso que te Cansa Não Está Fora, Está Dentro

Quase sempre acreditamos que estamos cansados por causa das exigências do mundo: tarefas, demandas e estímulos em excesso. Mas, na Ontoanálise, aprendemos algo mais profundo: o excesso que mais desgasta não está fora, está dentro. É a carga psicológica que esgota , não a carga funcional. É a mente cheia que adoece, não a agenda cheia.

O ser humano não sofre pelo que faz, mas pelo que carrega: esperas, medos, cobranças invisíveis, tentativas constantes de atender expectativas que não são suas.

Simplificar, neste contexto, não significa fazer menos, mas sim, carregar menos dentro de si. Isto devolve lucidez, energia e direção.

O acúmulo interno que ninguém vê

Vivemos acumulando coisas, sem notar:

  • tarefas desnecessárias,
  • pensamentos que não precisam ser mantidos,
  • expectativas que não são nossas,
  • responsabilidades que não precisam ser assumidas.

O problema não é a ação — é o ruído interno que a acompanha, um excesso interior. Ou seja, um estado em que a mente opera com peso duplicado porque tenta controlar, prever, ajustar e carregar tudo ao mesmo tempo. Este excesso não aparece no calendário, mas aparece no corpo: ansiedade, cansaço, confusão, perda de foco.

Portanto, antes de simplificar o que se faz, é preciso simplificar o que se pensa.

O ruído mental como causa da dispersão

A mente saturada cria um tipo de distorção: ela confunde quantidade com importância, pois tudo vira urgência, prioridade. Isto não é capacidade, é sobrecarga. Por consequência, o ser perde o controle do que é essencial porque está tentando sobreviver ao excesso interno.

O resultado?

  • decisões precipitadas,
  • improvisos constantes,
  • perda de lucidez,
  • sensação de estar sempre atrasado, mesmo fazendo muito.

Portanto, o foco não nasce do esforço, mas do silêncio interno. E silêncio só existe quando o excesso é dissolvido.

Simplificar é um ato de inteligência

Simplificar não é reduzir vida, mas retirar o que impede a vida de fluir. É um ato de inteligência interior:
colocar cada coisa no seu lugar. Portanto, simplificar é uma forma de purificação da atenção — um retorno ao essencial. Quando você simplifica, ganha e concentra potência, faz o que realmente transforma.

O ser humano cresce quando deixa de desperdiçar energia com:

  • preocupações desnecessárias,
  • comparações inúteis,
  • tarefas sem propósito,
  • expectativas alheias,
  • medos repetidos e ilusórios.

Em síntese: simplificar é remover o desnecessário para liberar espaço ao que realmente importa.

Coerência interior amplifica resultados

Produtividade não nasce do excesso, nasce do alinhamento. Quando a mente opera sozinha, ela cria apenas volume, mas quando consciência e ação se encontram, surge direção. Esta direção se torna, inevitavelmente, mais eficaz.

Simplificar é restaurar coerência interna, é recolocar cada força no seu lugar. Quando isso acontece:

  • a emoção deixa de contaminar o foco,
  • a mente deixa de competir com a consciência,
  • o corpo deixa de carregar tensões inúteis,
  • e a ação se torna firme, sem peso.

É essa coerência que explica um fenômeno comum: enquanto alguns fazem muito e não avançam; outros fazem menos e transformam. A diferença não está na quantidade de movimento, mas na qualidade da presença que sustenta esse movimento. Se de um lado, a mente acelerada produz esforço, por outro lado, a mente organizada produz resultado.

Como simplificar por dentro (perspectiva ontológica)

Não se trata de técnicas, mas de posturas internas:

1. Deixar cair o que não pertence

Grande parte do seu cansaço é carga de outra pessoa: expectativas, projeções, medos herdados, padrões sociais. Soltar não é desistir, mas devolver o que nunca foi seu.

2. Reduzir o diálogo interno desnecessário

Preocupação antecipada é uma forma de autossabotagem. Quando a mente entra em modo “cenários possíveis”, ela deixa o presente. Simplificar é voltar ao real.

3. Focar no essencial, não no urgente

O urgente é filho da mente. O essencial é filho da consciência. No essencial quase sempre é mais silencioso, porém muito mais poderoso.

4. Criar pausas de lucidez

A pausa não é para descansar, é para realinhar. Quando você pausa, o excesso se dissolve e o foco volta.

Conclusão: simplificar é abrir espaço para o essencial agir

Simplificar não é empobrecer o mundo interno, é retirar o que bloqueia sua potência. No fim das contas, a vida não pede mais de você, pede menos — e melhor. É neste “menos e melhor” que a lucidez aparece, o foco se instala e o resultado se amplia.

O excesso que te cansa não está fora — está dentro.
É dentro que começa a libertação.

Dr. Caldas – Fundador da Ontoanálise

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