Muitas pessoas já viveram momentos genuínos de clareza. Períodos em que se sentiram mais presentes, centradas e alinhadas consigo mesmas. Nesses momentos, a vida parecia fazer mais sentido, as decisões ficavam mais simples e o ruído interno diminuía.
Ainda assim, com o tempo, algo se perde. A pressa volta, o automático reassume o comando e a lucidez parece ficar distante. Na Ontoanálise, isso não é visto como fracasso nem falta de esforço. É o sinal de uma consciência que despertou, mas ainda não se sustenta com estabilidade.
Despertar pode acontecer em um instante. Sustentar exige maturidade interna.
A consciência não some — ela é engolida pelo automático
A clareza não desaparece de repente. Ela vai sendo tomada, pouco a pouco, pelos velhos hábitos, pelas pressões do dia a dia e pelas respostas automáticas que sempre estiveram ali.
Quando a estrutura interna ainda é frágil, a consciência aparece em momentos específicos — uma conversa, uma leitura, uma pausa — mas não permanece quando a vida aperta. Não é falta de vontade. É falta de sustentação.
A mente retorna ao comando porque é conhecida. O ser se recolhe porque ainda não encontrou espaço suficiente para permanecer.
Por que a consciência oscila
A oscilação da consciência acontece quando algo dentro da pessoa ainda precisa ser reorganizado. Conflitos não resolvidos, escolhas adiadas, medo de sustentar decisões coerentes ou desgaste emocional constante criam um terreno instável.
Nessas condições, a lucidez se torna intermitente. Ela aparece quando tudo está mais calmo e desaparece quando surgem cobranças, conflitos ou pressões.
A consciência não cai por erro.
Ela recua por proteção.
Quando compreender não é o bastante
Há pessoas que entendem profundamente o que é consciência, presença e alinhamento. Ainda assim, não conseguem viver isso no cotidiano. Isso acontece quando a clareza fica restrita ao entendimento, mas não se transforma em reorganização de vida.
Nesse caso, o despertar acontece como insight, não como eixo. A pessoa sabe, mas não sustenta. E isso gera frustração: clareza demais para viver no automático, estrutura de menos para viver diferente.
A Ontoanálise aponta esse ponto com cuidado: consciência sem base vira desgaste interno.
Sustentar a consciência tem um custo
Viver de forma consciente não é confortável no início. Exige abrir mão de antigos modos de funcionar, sustentar limites, enfrentar desconfortos emocionais e assumir responsabilidade sobre escolhas que antes eram adiadas.
Quando esse custo não é assumido, a consciência não se fixa. Ela aparece, ilumina, e depois se recolhe. Não como punição, mas como sinal de que algo ainda precisa amadurecer.
A lucidez permanece onde há espaço interno para ela existir.
Quando a consciência amadurece
Com o tempo — e com pequenas reorganizações internas — a consciência deixa de depender de momentos ideais. Ela começa a se manifestar mesmo em dias difíceis, decisões complexas e situações desconfortáveis.
Nesse ponto, a mente já não domina completamente. O ser passa a ocupar o centro. As escolhas continuam exigentes, mas deixam de ser confusas. A vida não fica mais fácil, mas fica mais coerente.
Essa é a maturidade da consciência: quando ela não se perde diante da pressão.
Conclusão — despertar é lembrar; sustentar é escolher
Despertar a consciência é lembrar quem se é. Sustentá-la é escolher viver de acordo com isso, mesmo quando não é simples. A oscilação faz parte do processo e revela exatamente onde a estrutura ainda precisa se fortalecer.
A Ontoanálise não busca estados elevados passageiros, mas consciência estável — aquela que permanece quando a vida exige mais.
Cada retorno ao centro constrói base. Cada queda mostra onde ainda há trabalho. E, pouco a pouco, a consciência deixa de oscilar porque encontra sustentação suficiente para permanecer.
Dr. Caldas – Fundador da Ontoanálise
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