Quando a Pressa Vira Identidade: por que você não consegue mais desacelerar?

Quando a Pressa Vira Identidade: por que você não consegue mais desacelerar?

Quando a pressa vira identidade, o problema deixa de ser a agenda cheia e passa a ser a forma como você se percebe. Muitas pessoas hoje vivem aceleradas, mas poucas percebem que já não sabem mais quem são sem a correria.

Se você sente ansiedade constante, cansaço mental frequente ou dificuldade de relaxar mesmo nos momentos de descanso, talvez não esteja apenas ocupado. Talvez esteja preso a uma identidade construída na velocidade.

Na Ontoanálise, aprendemos que o ser vem antes da performance. Contudo, quando o ego assume o comando, a produtividade vira prova de valor. E, então, a pergunta que deveria trazer alívio passa a trazer medo.

Quem você seria se não estivesse sempre correndo?

Por que eu me sinto sempre com pressa?

Muitas pessoas se questionam “por que me sinto sempre com pressa” ou “não consigo relaxar nunca”. No entanto, a resposta raramente está apenas na quantidade de tarefas.

A pressa, inicialmente, é um comportamento. Depois, torna-se hábito. Entretanto, quando define sua importância, ela se transforma em identidade.

Socialmente, estar ocupado virou sinal de relevância. Além disso, responder rápido, produzir muito e demonstrar urgência constante parece indicar competência. Assim, sem perceber, a pessoa passa a sustentar sua autoestima na aceleração.

Consequentemente, descansar gera culpa. Estar offline causa inquietação. O silêncio incomoda.

Do ponto de vista ontoanalítico, isso revela um ser afastado do comando. O ego, desconectado da essência, precisa de movimento contínuo para se sentir validado.

Produtividade excessiva é o mesmo que importância?

Muitas pessoas vivem com a sensação de nunca fazer o suficiente. Mesmo após um dia produtivo, surge a impressão de que poderiam ter feito mais. Esse é um sintoma clássico da ansiedade por produtividade.

Entretanto, produtividade não é sinônimo de importância.

Quando a produtividade vira compulsão, ela deixa de ser expressão e passa a ser defesa. A pessoa trabalha para não entrar em contato com o vazio, para não sentir inferioridade ou para evitar a sensação de inadequação.

Além disso, a comparação constante nas redes sociais reforça essa dinâmica. Vidas aparentemente perfeitas e agendas lotadas criam um padrão ilusório de sucesso. Dessa forma, a mente entra em estado permanente de alerta.

O resultado aparece em sintomas claros e buscáveis: exaustão mental, insônia, irritabilidade, dificuldade de concentração e sensação de viver sempre no automático.

O custo psíquico de viver acelerado

Viver correndo tem consequências profundas. Primeiramente, a mente nunca desacelera. Em seguida, o corpo sinaliza desgaste. Depois, as relações se tornam superficiais.

Quem vive com pressa raramente está presente de verdade. Escuta pela metade, responde mecanicamente e mantém conexões rasas.

Além disso, surge a dificuldade de descansar sem culpa. Mesmo nas férias ou no fim de semana, a mente continua trabalhando. Essa incapacidade de relaxar é um dos sintomas mais comuns da “síndrome da pressa”.

Na Ontoanálise, compreendemos que o aparelho psíquico, quando assume o controle sem alinhamento com o ser, cria uma vida baseada em reação. A pessoa reage às demandas externas sem perguntar se aquilo corresponde à sua essência.

Assim, o indivíduo pode alcançar metas e reconhecimento. Contudo, internamente, cresce a sensação de perda de sentido.

Como desacelerar sem perder produtividade?

A boa notícia é que desacelerar não significa abandonar responsabilidades. Significa reposicionar o centro.

Primeiramente, observe suas reações diante da pausa. Se o descanso gera culpa, há um sinal importante. Se o silêncio provoca ansiedade, há algo que precisa ser escutado.

Em seguida, experimente pequenas pausas conscientes ao longo do dia. Respirar antes de responder uma mensagem já é um exercício de reconexão.

Além disso, redefina seu conceito de valor pessoal. Você não é sua agenda. Não é sua lista de tarefas. Não é sua velocidade.

Quando o ser retoma o comando, a produtividade continua existindo. Entretanto, ela deixa de ser compulsão e se torna escolha.

Na prática, isso significa trabalhar com intensidade quando necessário, mas também saber interromper. Significa produzir com presença, não por medo.

Se deseja saber mais sobre a pausa consciente, leia também: “A Pausa Consciente: Como a Respiração Reconecta Mente e Ser“.

Recuperar identidade além da velocidade

Quando a pressa vira identidade, a pessoa acredita que, se parar, desaparece. Porém, identidade não é ritmo. É essência. Recuperar essa essência exige coragem para reduzir o ruído externo, para enfrentar o silêncio, e para perceber que talvez a aceleração constante esconda inseguranças antigas.

Chamamos isso de reconexão ontológica, ou seja, o momento em que o indivíduo entende que o ser é anterior à performance. Consequentemente, o ritmo pode continuar intenso. Contudo, ele não será mais desgovernado. Haverá direção. Haverá consciência.

E, sobretudo, haverá liberdade.

Conclusão

Quando a pressa vira identidade, a vida se transforma em corrida permanente. Entretanto, correr não é existir.

Se você sente ansiedade constante, cansaço mental frequente, dificuldade de relaxar ou culpa ao descansar, talvez o problema não seja excesso de tarefas. Talvez seja excesso de identificação com a velocidade.

A sociedade continuará acelerada. O mercado continuará exigente. Contudo, o ser não precisa se dissolver nisso. No fim, a pergunta permanece simples e profunda: Se a pressa desaparecesse, quem você seria?

Talvez a verdadeira evolução não esteja em fazer mais, mas em lembrar quem conduz sua vida.

Dr. Caldas – Fundador da Ontoanálise

Leia mais:

A Pressa Como Sintoma de Consciência Desorganizada

A Falta de Pausa Como Forma Moderna de Violência Psíquica

Leitura externa:

Pressa para Resolver Tudo: Como a Ansiedade por Decisão Te Faz Agir no Impulso

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